segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Frases que me envolvem


Quero luz, muita luz, muita paz. Quero sorrir como sorria quando criança.Ver as mariposas ao redor do lampião. Quero alcançar o inalcançável mesmo sabendo que Ele está ao meu lado sempre! Coisas de criança!!!
(Selma Serrano Amaral)



A infância nos remete a momentos nos quais sabemos que estamos seguros; pois nossos pais estão ali, bem pertinho é só chamá-los. Crescemos, os perdemos e fica o vazio.  Como é bom ser criança!!!
(Selma Serrano Amaral)



Borboletas a voar como se o dia fosse acabar naquele momento. Alegres e felizes, mesmo depois de o sofrido sair do casulo, festejam a beleza da vida. Assim me vejo quando me lembro de minha infância.
(Selma Serrano Amaral)




Quero colo. Quero colo de mãe, aquele bem pertinho do coração. Aquele abraço que nos envolve inteiramente. Ninar, mimar, brincar, buscar o desconhecido. É assim que acontece o nosso despertar para a vida.
(Selma Serrano Amaral)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Oi mãe!!!



Como está?
Espero que esteja muito bem, assim poderemos conversar um pouco. Faz tempo que não fazemos mais isso. Que não relembramos das “traquinagens” que aprontávamos  e a senhora era a primeira a estar junto com a criançada.
Um dia desses a noite, olhando ao meu redor comecei a perceber que não se vê mais vagalumes, mesmo em um quintal tão grande e com tantas plantas. Acredito que a sociedade atual, com o tão alardeado desenvolvimento urbano, está exterminando várias espécies de animais, pássaros e insetos que tínhamos anos atrás.
Lembra quando saíamos durante a noite, naquele imenso quintal onde ficava nossa casa, em busca das pequeninas luzes que acendiam e apagavam? Eram tantas! A cada segundo acendia uma em um lugar. Depois apagava e no lado oposto outras cintilavam. Era uma aventura; necessitava agilidade e rapidez para não perdê-las.
Tínhamos que estar munidos com caixinhas e suas respectivas tampas. O silêncio precisava ser profundo para não interferir com os sons dos grilos e de outros bichinhos noturnos; e lá íamos nós “caçar” vagalumes, colocando-os nas caixinhas bem fechadas para que não fugissem. Quando a “caçada” já havia terminado, sentávamos todos juntos e aos poucos abríamos só a pontinha da tampa, para vê-los brilhar dentro da caixinha. Era tão lindo! Passavam-se muitos minutos, cada um contando quantas luzinhas tinha na caixa.
Satisfeita nossa curiosidade; pois queríamos entender como é que acontecia esse fenômeno do acender e do apagar em um ser vivo. Nunca conseguíamos descobrir.  Exaustos, já querendo dormir, abríamos  as caixas e lá iam todos piscando de volta a escuridão.
Mãe, a senhora ainda lembra que era sempre a primeira pessoa que dava idéias geniais?
Não lembra?
Como não? Está é querendo tirar o “corpo fora”, pois agora sabemos que não deveríamos fazer esse tipo de brincadeira. Essa não é uma forma correta de lidar com a natureza.
Agora lembrou, não é?  Sabia que lembraria, sempre teve boa memória.
O pior ainda está por vir. Pior agora, antes era fenomenal!!!
As borboletas. “Caramba”! Se fosse hoje, os ambientalistas nos prenderiam por crime ambiental.
Estava “declarada a época de caça as borboletas”. Havia de todas as cores, tamanhos e desenhos nas asas. Sensacional!
Ficávamos imensamente felizes quando conseguíamos uma bem grande. Era um troféu!
Agora, depois de tanto anos, sabemos que agimos errado, mas na época por ingenuidade por vontade de entreter as crianças, compensava. Não é mãe?
O que fazíamos depois de “caçá-las”? Vamos, conte-nos. É a autora da idéia que tem que contar se não, não vale!
Quantos anos mesmo já se passaram? Nem me lembro, só sei que precisaremos de muitos dedos para contá-los.
Bom, vamos lá.
- Mãe cadê os alfinetes, perguntávamos e ela respondia:
- estão na máquina de costura, na segunda gavetinha.
- e o isopor onde está? A criançada outra vez perguntando.
Caros leitores já perceberam o que viria depois desses materiais todos em nossas mãos? Isso mesmo confeccionávamos quadros com borboletas. O pior é que ainda hoje vejo em alguns lugares gente vendendo pratos com as “bichinhas” mortas dentro. Que dó!
Parece mentira, mas não tínhamos essa consciência. Acredito ser motivado pela imensa quantidade existente e assim não nos preocupávamos com algumas.
Arrependo-me tanto te ter espetado tantas borboletas com alfinetes no isopor.
Mãe! Acredito termos tido uma boa participação na escassez da espécie.
Essas brincadeiras eram tão boas, mas agora entendemos que estava ecologicamente incorreta. Cá entre nós, bem baixinho, era bem divertido, não acha?
Claro que acha! A senhora se divertia muito, parecendo ser uma criança também.
Como foi bom tê-la por perto durante toda a minha infância. Mãe de tempo integral. Mãe que largava tudo o que estava fazendo para satisfazer nossas vontades e pedidos.
Éramos tão felizes!
Eu não consegui ser uma mãe de tempo integral para meus filhos. Hoje eu me arrependo, mas já foi. Não se deve chorar o “leite derramado” como diz o ditado popular.
Passamos ótimos anos juntas. Às vezes a senhora ficava muito brava comigo porque sempre fui o que se chama agora de “bocuda”, “respondona”.
Sabe mãe, acho que eu “me achava”!!!
E lá saía a dona Gleyde, com “Y”; pois se colocassem com “i”, vocês nem imaginam o sermão que ela dava, correndo atrás de mim dizendo: venha cá que eu vou te pegar. Não corre que será pior. Aí é que eu corria mais ainda e depois dava um tempo para as coisas “esfriarem”. Quando voltava para casa tudo já havia sido esquecido e voltávamos a conversar como se nada houvesse ocorrido. Só mãe mesmo!
Saudades de minha infância, mas é uma saudade gostosa; pois acredito que vivi tantas aventuras que será difícil minha memória relembrá-las ou qualquer jogo de game fazer uma criança de hoje experimentar, vivenciar, conhecer o que é realmente ser criança.
Vou lhe contar um segredo: eu adorava ver aquelas suas fotos quando era moça. Era tão linda! Aí eu pensava; ”será que um dia serei tão bonita quanto ela”?
Calma, eu sei não esqueci. Não precisa ficar me lembrando do seu aniversário. Eu nunca, nenhum ano o esqueci. Também se esquecesse o senhor Digníssimo João Abel, meu maravilhoso pai, fazia questão de me ligar.
No dia nove de janeiro de 2013 a senhora estaria completando 79 anos. Seria legal se tivesse podido ficar mais tempo com a gente. Já pensou quando completasse 80 anos faríamos uma festa de “arromba” como dizia o senhor meu pai.
Fazer o quê! Deus resolveu chamá-la para junto a Ele quando a senhora havia completado apenas 45 anos.
São tantas lembranças, tantas saudades, tantos colos que me fizeram muita falta e ainda o fazem.
Gostaria de poder ter pelo menos mais um dia para “caçarmos” vagalumes e nos despedirmos. Não tivemos a oportunidade de fazê-lo. Foi tudo muito rápido.
O tempo passa, continuamos nossas vidas e sei que onde estiver está olhando por nós. Sinto isso. Sua presença é muito forte em minha memória e em meu coração.
Mãe, muito obrigada por ter me proporcionado uma infância maravilhosamente feliz...
Simples Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)

Luz do dia, dia de luz!


Luz do dia, dia de luz? Não sei. Só sei que ela clareia meu rosto, ilumina meu olhar, faz-me enxergar as belezas ao meu redor. O mundo continua se movimentando em todos os seus aspectos; do macro ao micro ambiente.
A brisa movimenta meus cabelos, o sol me faz sentir mais viva. O mar com seu vai-e-vem movem-me em busca de paz, viver em harmonia com meu "eu". Sinto-me feliz por ter despertado mais um dia. De poder ouvir o canto dos pássaros e vê-los bailando no ar.
Percebo que a felicidade completa minha alma e assim será meu dia...
Com o passar do tempo, as concepções sobre o que realmente faz valer a pena, muda toda uma estrutura de vida. Não falo genericamente, nem poderia. Cada um tem seus objetivos e planos de vida. Constato esta realidade através de amigos que também comungam da mesma opinião.
Na vida, quando somos jovens, é  pura adrenalina, parece que vivemos como se o mundo fosse acabar amanhã. Com um pouco mais de idade, ela se transforma em uma grande corrida para o sucesso. Esquecemos, colocamos, transformamos o essencial que é o amor a tudo e a todos em secundário. Ligamos o piloto automático e rumo ao esplendor, ao status de “ter” coisas como os outros também possuem.
Vivemos assim por anos a fio, sem nos darmos conta de que o corpo já não tem mais a mesma vitalidade. Partes de nossa vida estão fragmentadas e não conseguimos juntar o quebra-cabeça.  Sobram peças, faltam pessoas, lugares, cheiros, calor humano, entes queridos e muito mais.
Felizmente alguns percebem a tempo que é necessário que o freio de mão de nossa vida precisa ser acionado de vez em quando. Descermos do carro e observarmos realmente o que é a vida e qual o propósito de estarmos aqui neste plano.
O sol continua a iluminar meu olhar e a cada dia enxergo o que me faz sentir feliz. O que quero e o que não quero para minha vida.
Às vezes dou uma derrapada  e confundo prioridades mas logo volto a caminhar olhando as estrelas do mar, as árvores a balançar, a brisa a refrescar e a vida a me proporcionar o que ela tem de melhor... A felicidade!!!
Sim, estou sempre a buscar momentos felizes; pois de infelicidade o espaço já se esgotou. Agora é perceber o que quero, como quero e quem eu quero sob todos os aspectos e simplesmente ser feliz!!!
Simples Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Onde está a “Magia das Festas de Final de Ano”


Como tudo fica bonito, enfeitado, colorido nessa época do ano. Luzes que piscam em vários ritmos, lojas enfeitadas com frases de amor, paz, solidariedade para conquistar-se um mundo melhor...
É de uma beleza incrível olhar as pessoas se cumprimentando, desejando um novo ano cheio de coisas boas. Comprando presentes, alimentos, passeando, sentadas a beira de mesas de restaurantes brindando. Só coisas boas.
Caro leitor, você pode estar se perguntando o porquê deste texto neste momento. O ano já começou e estamos em sua primeira semana?
Ser-lhe-ei franca. A minha vontade era de tê-lo escrito no último dia do ano de 2012, quando tudo aconteceu, mas se o fizesse, ele viria carregado de indignação, de palavras que realmente não mereceriam ser lidas; pois me encontrava totalmente atônita com o ocorrido.
Amor, amar seu semelhante, preocupar-se com ele e tantas outras coisas que se promete nessa grande “Magia das Festas de Final de Ano”.
Pergunto-lhes: onde verdadeiramente essa magia se encontra?
Hoje, lendo um texto de uma querida amiga, consegui começar a pensar em escrever o que eu queria. Descobri que tudo isso se encontra atrás de máscaras que cada um de nós carrega consigo e são muitas, uma para cada ocasião conveniente. Tem a da indiferença, a da bondade, a do eu sou seu amigo, a do eu me preocupo com você, a do eu não tenho nada a ver com isso. A do finjo que não vi assim não preciso fazer nada, a da alegria, da bondade, do prazer em ajudar seu próximo e tantas outras.
Após ler o texto comecei a rascunhar este, para poder atingir o mais próximo da verdade. Contar-lhes quantas máscaras pude sentir no dia 31 de dezembro passado, o dia das promessas boas, dos bons desejos.
Com o entusiasmo da data, logo pela manhã, me dirigi à padaria onde comprei pão, panettone e um bolo.
Estava vestida de forma normal, como se costuma dizer: “arrumadinha”, nada que denotasse uma moradora de rua, usuária de drogas ou coisa semelhante. Para mim, mesmo que um desses aspectos que a sociedade rotula como “modelo” para não se chegar próximo tivesse sido notado, não interessava, é um ser humano semelhante ao outro, não mereceria tal tratamento. Somos iguais perante Deus e perante a nossa Constituição Federal.
Desculpem-me a palavra: “BALELA”, é cada um por si carregando a sua máscara.
Saindo da padaria passei por umas seis ou sete pessoas que aguardavam no local demarcado, o transporte coletivo. Andei mais uns sete ou oito metros, segurando uma sacola em cada mão. Em uma fração de segundos, devido á falta de conservação da calçada, caí esticada de bruços, inteiramente no chão. A primeira parte de meu corpo a bater com muita força no chão foi à cabeça, mais precisamente toda a face esquerda. Fiquei assim, nessa posição, por uns quatro minutos, quase desacordada. Aos poucos ia tentando encontrar uma forma de levantar-me. Sentia na boca o gosto do sangue misturado com a terra. Achei que tivesse quebrado o nariz; pois como é um pouco grande, a batida foi pior. “Pensei”: fiquei sem meus dentes da frente, que agonia! Virei o rosto para o lado da avenida e lembro-me ter visto um carro vermelho e outro preto passando, bem próximo a mim. Até achei que iriam me ajudar, mas me enganei foram embora. Ainda tentei chamá-los mas, nada, parecia que não havia ninguém esticada no chão e atentem, não tem como não perceber uma mulher de 1.70 m esticada na calçada.
Será que pensaram que poderia ser uma pegadinha ou que eu havia resolvido tomar banho de sol e ficar lindamente bronzeada para esperar a meia noite?
É cômico e trágico ao mesmo tempo; pois ninguém veio ao meu auxílio, nem as pessoas por quem eu segundos antes havia passado.
Lembro-me que ali, esticada no chão só conseguia clamar: “Jesus me ajuda a levantar, preciso de ti”. Aos poucos, chorando, fui ficando em pé e consegui retornar a minha casa. O choro não era tanto pela dor, apesar de ser intensa, mas sim pelas máscaras que hoje entendi. A da indiferença, a de vou fazer que nada vi e deixar para lá, ela se vira, de repente o ônibus passa e eu o perco, não foi comigo nem com ninguém de minha família e assim por diante.
31 de dezembro, onde a “Magia” do desejar o bem ao outro estava aflorada nada se fez?
Será mesmo que estava aflorada ou tudo isso virou um comércio e a verdadeira “Magia das Festas de Final de Ano” não passa de uma grande máscara social ou de uma sociedade mascarada, sem valores pessoais e humanos. Uma sociedade onde o principal personagem é o “eu”, o “nós” é apenas um conto de fadas, uma estratégia mercadológica para se vender cada vez mais coisas para se ter e esquecem de que primeiro é necessário ser...
O meu corpo físico ainda me dói, mas a dor maior e a da percepção de um “ser humano” não saber ou não querer ser “humano”
Que pena!!!
Amar é tão fácil, tão gostoso e que nos torna uma pessoa melhor a cada dia.
Repensar valores. Isso é muito importante para que a “Magia” tão cantada em prosa e verso possa realmente existir.
O principal de tudo é não se esquecer o que estas datas representam realmente.
Simples Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)