quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Chuva? Chuva de Bolinhos de Chuva


Hoje matei a saudades de comer Bolinhos de Chuva. Quanto, tempo não os comia? Nem me lembro mais.
Bolinhos de Chuva para mim lembram vovó, aquela mulher que eu gosto de chamá-la de "mamãe com açúcar".
Por uns instantes minha mente voltou-se ao passado e bem passado..., mesmo estando cercada por alunos em sala de aula na Faculdade, quando uma de minhas alunas me ofereceu um pote cheio de Bolinhos de Chuva; cada um mais lindo e mais gostoso que o outro. Peguei dois e fui saindo de perto; pois me lembrei de minha avó materna, a vovó Maria de Lourdes.
Como eu gostava dos bolinhos de chuva que ela fazia quando a casa estava cheia de netos correndo de um lado para o outro dentro de casa; pois lá fora chovia.
Hoje entendo que talvez fosse uma maneira de nos acalmar, pois sentávamos ao redor da mesa para saboreá-los, cheios de açúcar e canela por cima e os comíamos  acompanhado de chá mate..
Nossa! E o dia que ela os fazia recheados com bananas. “Caramba”, era muito bom!!!
Bolinhos de Chuva me remetem a amor, carinho, aconchego, que só encontramos no colo de nossas mães ou na casa de nossas avós.
Era maravilhoso e tão esperado o dia de irmos à casa da avó Maria de Lourdes, encontrar todos os primos e primas, quase todos da mesma idade. Imaginem a folia!!!!
Era uma folia fantástica. Era chuva de amor caindo como estrelinhas cintilantes sopradas por uma linda fada cor-de-rosa.
Brincávamos muito e comíamos ainda mais e mais bolinhos de chuva.
Fico pensando em como minha avó conseguia administrar tantos netos correndo, rindo e brincando. Tenho a nítida impressão que era o amor que ela sentia por cada um de nós que a fazia ficar tão feliz com tanta bagunça junta, com todos os netos juntos e misturados ao mesmo tempo e, acreditem, éramos muitos mesmo.
Cada remessa de bolinhos de chuva que saía da panela; eram literalmente devorados. Parecia não ter fim.
Ficávamos comparando o recheio de cada um dos bolinhos; pois uns gostavam mais sequinhos, outros gostavam mais cremosos e ela satisfazia a vontade de todos. Só poderia mesmo ser chuva de amor que continha na receita daqueles bolinhos de chuva.
Agora, nesse exato momento, escrevendo este texto, consigo sentir o cheiro da canela misturada ao açúcar, a textura do recheio cremoso e até mesmo enxergar aqueles "rabinhos" que ficam em cada um deles quando a massa cai toda da colher no óleo quente.
Saudades da avó Maria de Lourdes. Se eu tivesse que indicar uma mulher como exemplo de vida, seria ela que eu indicaria. Minha vida tem profundas marcas de amor e fé inabalável, vindas dessa mulher guerreira.
Quantos filhos e filhas, quantos netos, netas, genros e noras e ela lá, no centro da família.
A tecnologia é tão avançada atualmente, que deveriam ter inventado algum dispositivo, uma máquina, uma tecla, sei lá o quê, que pudesse nos levar ao passado para matarmos as saudades e, depois voltaríamos, recarregados de chuvas de amor.
Se tivessem inventado algo assim, eu o usaria para ir à casa de minha amada avó Maria de Lourdes para saborear chuvas de bolinhos de chuva e lhe dar um abraço bem apertado e ficar um pouquinho em seu colo. Ver o brilho do açúcar caindo por cima deles como se fossem estrelas cintilantes caindo do céu.
Cada um daqueles bolinhos representava um pedacinho de amor de avó, melhor "mamãe com açúcar".
Quando eu tiver meus netos, quero ser uma "mamãe com açúcar". Logicamente a produção não dependerá de mim,
Quero amar, mimar, ninar, compartilhar um dos maiores dons que Deus nos deu o amor a vida, com meus netos. Fazer bolinhos de chuva recheados com bananas e deixá-los, depois de terminada a massa, lamber a tigela e a colher que foram utilizadas para fazê-los.
Era um dos momentos que eu mais gostava. Era tanto dedo dentro da vasilha que não sobrava nada.
“Chuvas de Bolinhos de Chuva”.
Uma simples receita que deixa marcas de amor em nossa mente e principalmente em nossos corações para a vida inteira.
Quantas avós fazem isso com seus netos atualmente?
Não percam essa oportunidade, é única e marcante demais.
Bolinhos de Chuva... Amor familiar.


Simples Assim!
(Selma Serrano Amaral)

Nenhum comentário: