Sim, este será o título
deste texto.
Não adianta reclamar caro
leitor; essas informações se tornam essenciais; pois, assim entenderão muitos
dos assuntos que estaremos tratando nesse blog. Tratando não, melhor
comentando, discutindo; pois dá para vocês registrarem suas apreciações.
Tratando parece coisa de doença e tudo o que eu não quero é conversar sobre
esse tema. Quero trocar ideias sobre felicidade, motivação, alegrias, cantos,
contos, encantos, encontros, enfim, tudo o que nos mostre o quanto somos
felizes e muitas vezes nem nos damos conta disso.
Vamos lá:
" Era uma vez uma
família de portugueses recém chegados ao Brasil. Não sei muito bem
como foi o início de seu assentamento. Pensando melhor, nem me lembro se algum
dia alguém comentou sobre isso; mas não importa, continuemos de onde me lembro,
já está de bom tamanho.
Instalaram-se em São
Vicente, cidade localizada mais para o no litoral sul do estado de São Paulo.
Isso, lá pelos idos de 1920.
Já em terras brasileiras,
tiveram quatro filhos. Após um período aqui no Brasil, retornaram a Portugal e
tiveram mais alguns por lá.
Retornaram ao Brasil,
sendo que ao todo; pasmem, tiveram 18 filhos, mas como se dizia naquela época
"apenas 09 vingou".
Instalaram-se
definitivamente em uma área extensa, construindo um lindo chalé, que ficava na
parte mais alta do terreno. Eu o achava muito imponente.
Gente, vocês nem me
lembraram? Esqueci de dizer os nomes dos protagonistas da história! Que falha
imperdoável a minha.
Sei que ao mencionar os
nomes, vocês pensarão que estou de "gozação" ; mas não estou. O
nome do varão da história era João e de sua linda esposa, Maria. Uma mulher
alta, esguia e guerreira.
Realmente parece brincadeira
com o título do texto mas meus avós paternos chamavam-se João e Maria, outra
história infantil....
João era um jardineiro de
altíssima qualidade, tanto que trabalhava nas casas que a sociedade da época
chamava de "a casa dos ingleses", aqueles da época do café em
expansão.
Maria cuidava da prole
numerosa e da imensa área em que residiam, onde existiam diversos tipos de
árvores frutíferas como abacateiro, ameixeira, parreira, ervas medicinais,
verduras legumes e uma linda árvore frutífera que eu amava de paixão. Era uma
"grumixameira". Garanto que muitos nunca ouviram falar, quanto mais
saborear seu delicioso fruto, a grumixaba. Ela era imensa, mais alta do que a
casa.
Vou dar uma pausa e passar
para o momento cultura: " a grumixameira é uma árvore brasileira da
floresta pluvial da Mata Atlântica, conhecida também por grumixaba, cumbixaba e
ibaporiti, podendo atingir até 15 metros de altura. Seus frutos, bagas
globosas, podem conter uma ou duas sementes”.
Pronto acabou o momento
cultural, e acredito que os deixaram curiosíssimos em pesquisar mais sobre essa
fruta tão saborosa. Assim eu espero!!!!
Bom, retornando a João e
Maria, os filhos cresceram, foram casando e construindo suas casas em partes do
terreno. Atualmente poderia ser chamado de um "condomínio residencial
familiar". Que chique, não acham?
E assim foi.
Mas, como todo casal tem
filhos, pelo menos é o mais usual, ainda mais naquela época,inevitavelmente
nasceram os netos e as netas.
Imagine a imensa área,
apesar de acomodar tanta gente, tinha muito espaço para se brincar e como
brincávamos. Era o máximo...
Eu adorava subir no pé de
grumixaba. Colocava uma escada e depois escalava o telhado da casa e ficava
sentada nos galhos frondosos da árvore, só saboreando seus frutos.
Caramba!!! Agora chegou
até me dar água na boca só de falar
sobre eles. Acho que posso ficar "aguada", mas isso será outra
história.
Enchíamos vários potes
com as frutinhas e as comíamos muito, ou melhor, literalmente a chupávamos
primeiro para depois comê-las, até dar “dor de barriga”.
Era engraçado demais
esperar quem é que sairia correndo primeiro para o banheiro. Uma pausa: o papel
higiênico na época era “horrívelmente” horrível; quando havia. Isso mesmo, se
não houvesse, outros papéis cumpriam sua função. Não dava para chamar o “Alfredo”
da propaganda; no máximo era clamar por Jesus para acalmar a “tempestade” e que
o final não fosse tão dolorido.
Fico pensando em quantas
crianças têm, atualmente, o privilégio de ter em sua residência, um quintal com
tantas frutas, verduras, legumes e até mesmo aves. Sim aves.
Como não ter galinhas?
Impossível!!!
Havia um espaço separado
para as elas, seus pintinhos e seus ovos maravilhosos, que também resultavam em
uma deliciosa gemada feita pelas mãos de minha mãe. Era a gemada dos deuses.
Será que éramos felizes?
Será que tínhamos a exata
noção do significado daqueles momentos maravilhosos?
Não só eu, mas os primos,
primas e amigos que vinham brincar conosco?
Creio que sim, sabíamos
que éramos felizes, mesmo tendo poucos recursos financeiros; pois a área era
grande, mas as casas eram humildes chalés mistos, aqueles em que os quartos e
sala eram de madeira e a cozinha, banheiro e demais dependências de alvenaria.
Hoje chamamos de casa
"pré-moldada",ficou mais chique.
Como fui feliz lá, sinto
saudades.
No local, atualmente
ergueram-se prédios e sobrados, desses que estão construindo com a mesma arquitetura
em todos os lugares.
Que pena para as crianças
que hoje habitam naquele lugar, confinadas em um pequeno espaço e nem sabem
quantas vidas felizes passaram por ali!
Subir em árvores, brincar
com as galinhas, fazer comidinha de verdade em fogãozinho improvisado com
tijolos, empinar pipas e ter a família toda reunida nas festas de final de ano.
Era tudo de bom.
Muito bem. Já que
conheceram um pouco de felicidade infantil, vou parando por aqui.
Só falta uma coisa: o
final da história
O varão João e sua linda
esposa Maria viveram felizes para sempre por mais de 60 anos de amor,
convivência e companheirismo...
Isso é felicidade?
(Selma Serrano Amaral)
(Selma Serrano Amaral)

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