sábado, 15 de dezembro de 2012

Era uma vez...


Sim, este será o título deste texto.
Não adianta reclamar caro leitor; essas informações se tornam essenciais; pois, assim entenderão muitos dos assuntos que estaremos tratando nesse blog. Tratando não, melhor comentando, discutindo; pois dá para vocês registrarem suas apreciações. Tratando parece coisa de doença e tudo o que eu não quero é conversar sobre esse tema. Quero trocar ideias sobre felicidade, motivação, alegrias, cantos, contos, encantos, encontros, enfim, tudo o que nos mostre o quanto somos felizes e muitas vezes nem nos damos conta disso.
Vamos lá:
" Era uma vez uma família de portugueses recém chegados ao Brasil. Não sei muito bem como foi o início de seu assentamento. Pensando melhor, nem me lembro se algum dia alguém comentou sobre isso; mas não importa, continuemos de onde me lembro, já está de bom tamanho.
Instalaram-se em São Vicente, cidade localizada mais para o no litoral sul do estado de São Paulo. Isso, lá pelos idos de 1920.
Já em terras brasileiras, tiveram quatro filhos. Após um período aqui no Brasil, retornaram a Portugal e tiveram mais alguns por lá.
Retornaram ao Brasil, sendo que ao todo; pasmem, tiveram 18 filhos, mas como se dizia naquela época "apenas 09 vingou".
Instalaram-se definitivamente em uma área extensa, construindo um lindo chalé, que ficava na parte mais alta do terreno. Eu o achava muito imponente.
Gente, vocês nem me lembraram? Esqueci de dizer os nomes dos protagonistas da história! Que falha imperdoável a minha.
Sei que ao mencionar os nomes, vocês pensarão que estou de "gozação" ; mas não estou. O nome do varão da história era João e de sua linda esposa, Maria. Uma mulher alta, esguia e guerreira.
Realmente parece brincadeira com o título do texto mas meus avós paternos chamavam-se João e Maria, outra história infantil....

João era um jardineiro de altíssima qualidade, tanto que trabalhava nas casas que a sociedade da época chamava de "a casa dos ingleses", aqueles da época do café em expansão.
Maria cuidava da prole numerosa e da imensa área em que residiam, onde existiam diversos tipos de árvores frutíferas como abacateiro, ameixeira, parreira, ervas medicinais, verduras legumes e uma linda árvore frutífera que eu amava de paixão. Era uma "grumixameira". Garanto que muitos nunca ouviram falar, quanto mais saborear seu delicioso fruto, a grumixaba. Ela era imensa, mais alta do que a casa.
Vou dar uma pausa e passar para o momento cultura: " a grumixameira é uma árvore brasileira da floresta pluvial da Mata Atlântica, conhecida também por grumixaba, cumbixaba e ibaporiti, podendo atingir até 15 metros de altura. Seus frutos, bagas globosas, podem conter uma ou duas sementes”.
Pronto acabou o momento cultural, e acredito que os deixaram curiosíssimos em pesquisar mais sobre essa fruta tão saborosa. Assim eu espero!!!!
Bom, retornando a João e Maria, os filhos cresceram, foram casando e construindo suas casas em partes do terreno. Atualmente poderia ser chamado de um "condomínio residencial familiar". Que chique, não acham?
E assim foi.
Mas, como todo casal tem filhos, pelo menos é o mais usual, ainda mais naquela época,inevitavelmente nasceram os netos e as netas.
Imagine a imensa área, apesar de acomodar tanta gente, tinha muito espaço para se brincar e como brincávamos. Era o máximo...
Eu adorava subir no pé de grumixaba. Colocava uma escada e depois escalava o telhado da casa e ficava sentada nos galhos frondosos da árvore, só saboreando seus frutos.
Caramba!!! Agora chegou até  me dar água na boca só de falar sobre eles. Acho que posso ficar "aguada", mas isso será outra história.
Enchíamos vários potes com as frutinhas e as comíamos muito, ou melhor, literalmente a chupávamos primeiro para depois comê-las, até dar “dor de barriga”.
Era engraçado demais esperar quem é que sairia correndo primeiro para o banheiro. Uma pausa: o papel higiênico na época era “horrívelmente” horrível; quando havia. Isso mesmo, se não houvesse, outros papéis cumpriam sua função. Não dava para chamar o “Alfredo” da propaganda; no máximo era clamar por Jesus para acalmar a “tempestade” e que o final não fosse tão dolorido.
Fico pensando em quantas crianças têm, atualmente, o privilégio de ter em sua residência, um quintal com tantas frutas, verduras, legumes e até mesmo aves. Sim aves.
 Como não ter galinhas?
Impossível!!!
Havia um espaço separado para as elas, seus pintinhos e seus ovos maravilhosos, que também resultavam em uma deliciosa gemada feita pelas mãos de minha mãe. Era a gemada dos deuses.
Será que éramos felizes?
Será que tínhamos a exata noção do significado daqueles momentos maravilhosos?
Não só eu, mas os primos, primas e amigos que vinham brincar conosco?
Creio que sim, sabíamos que éramos felizes, mesmo tendo poucos recursos financeiros; pois a área era grande, mas as casas eram humildes chalés mistos, aqueles em que os quartos e sala eram de madeira e a cozinha, banheiro e demais dependências de alvenaria.
Hoje chamamos de casa "pré-moldada",ficou mais chique.
Como fui feliz lá, sinto saudades.
No local, atualmente ergueram-se prédios e sobrados, desses que estão construindo com a mesma arquitetura em todos os lugares.
Que pena para as crianças que hoje habitam naquele lugar, confinadas em um pequeno espaço e nem sabem quantas vidas felizes passaram por ali!
Subir em árvores, brincar com as galinhas, fazer comidinha de verdade em fogãozinho improvisado com tijolos, empinar pipas e ter a família toda reunida nas festas de final de ano. Era tudo de bom.
Muito bem. Já que conheceram um pouco de felicidade infantil, vou parando por aqui.
Só falta uma coisa: o final da história
O varão João e sua linda esposa Maria viveram felizes para sempre por mais de 60 anos de amor, convivência e companheirismo...

Isso é felicidade?
(Selma Serrano Amaral)

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