Como
tudo fica bonito, enfeitado, colorido nessa época do ano. Luzes que piscam em
vários ritmos, lojas enfeitadas com frases de amor, paz, solidariedade para
conquistar-se um mundo melhor...
É de
uma beleza incrível olhar as pessoas se cumprimentando, desejando um novo ano
cheio de coisas boas. Comprando presentes, alimentos, passeando, sentadas a
beira de mesas de restaurantes brindando. Só coisas boas.
Caro
leitor, você pode estar se perguntando o porquê deste texto neste momento. O
ano já começou e estamos em sua primeira semana?
Ser-lhe-ei
franca. A minha vontade era de tê-lo escrito no último dia do ano de 2012,
quando tudo aconteceu, mas se o fizesse, ele viria carregado de indignação, de
palavras que realmente não mereceriam ser lidas; pois me encontrava totalmente
atônita com o ocorrido.
Amor,
amar seu semelhante, preocupar-se com ele e tantas outras coisas que se promete
nessa grande “Magia das Festas de Final de Ano”.
Pergunto-lhes:
onde verdadeiramente essa magia se encontra?
Hoje,
lendo um texto de uma querida amiga, consegui começar a pensar em escrever o
que eu queria. Descobri que tudo isso se encontra atrás de máscaras que cada um
de nós carrega consigo e são muitas, uma para cada ocasião conveniente. Tem a
da indiferença, a da bondade, a do eu sou seu amigo, a do eu me preocupo com
você, a do eu não tenho nada a ver com isso. A do finjo que não vi assim não
preciso fazer nada, a da alegria, da bondade, do prazer em ajudar seu próximo e
tantas outras.
Após
ler o texto comecei a rascunhar este, para poder atingir o mais próximo da
verdade. Contar-lhes quantas máscaras pude sentir no dia 31 de dezembro passado,
o dia das promessas boas, dos bons desejos.
Com
o entusiasmo da data, logo pela manhã, me dirigi à padaria onde comprei pão,
panettone e um bolo.
Estava
vestida de forma normal, como se costuma dizer: “arrumadinha”, nada que
denotasse uma moradora de rua, usuária de drogas ou coisa semelhante. Para mim,
mesmo que um desses aspectos que a sociedade rotula como “modelo” para não se chegar
próximo tivesse sido notado, não interessava, é um ser humano semelhante ao
outro, não mereceria tal tratamento. Somos iguais perante Deus e perante a
nossa Constituição Federal.
Desculpem-me
a palavra: “BALELA”, é cada um por si carregando a sua máscara.
Saindo
da padaria passei por umas seis ou sete pessoas que aguardavam no local
demarcado, o transporte coletivo. Andei mais uns sete ou oito metros, segurando
uma sacola em cada mão. Em uma fração de segundos, devido á falta de
conservação da calçada, caí esticada de bruços, inteiramente no chão. A
primeira parte de meu corpo a bater com muita força no chão foi à cabeça, mais
precisamente toda a face esquerda. Fiquei assim, nessa posição, por uns quatro
minutos, quase desacordada. Aos poucos ia tentando encontrar uma forma de
levantar-me. Sentia na boca o gosto do sangue misturado com a terra. Achei que
tivesse quebrado o nariz; pois como é um pouco grande, a batida foi pior. “Pensei”:
fiquei sem meus dentes da frente, que agonia! Virei o rosto para o lado da
avenida e lembro-me ter visto um carro vermelho e outro preto passando, bem
próximo a mim. Até achei que iriam me ajudar, mas me enganei foram embora.
Ainda tentei chamá-los mas, nada, parecia que não havia ninguém esticada no
chão e atentem, não tem como não perceber uma mulher de 1.70 m esticada na
calçada.
Será
que pensaram que poderia ser uma pegadinha ou que eu havia resolvido tomar
banho de sol e ficar lindamente bronzeada para esperar a meia noite?
É cômico
e trágico ao mesmo tempo; pois ninguém veio ao meu auxílio, nem as pessoas por
quem eu segundos antes havia passado.
Lembro-me
que ali, esticada no chão só conseguia clamar: “Jesus me ajuda a levantar, preciso
de ti”. Aos poucos, chorando, fui ficando em pé e consegui retornar a minha
casa. O choro não era tanto pela dor, apesar de ser intensa, mas sim pelas
máscaras que hoje entendi. A da indiferença, a de vou fazer que nada vi e deixar
para lá, ela se vira, de repente o ônibus passa e eu o perco, não foi comigo
nem com ninguém de minha família e assim por diante.
31
de dezembro, onde a “Magia” do desejar o bem ao outro estava aflorada nada se
fez?
Será
mesmo que estava aflorada ou tudo isso virou um comércio e a verdadeira “Magia
das Festas de Final de Ano” não passa de uma grande máscara social ou de uma
sociedade mascarada, sem valores pessoais e humanos. Uma sociedade onde o
principal personagem é o “eu”, o “nós” é apenas um conto de fadas, uma
estratégia mercadológica para se vender cada vez mais coisas para se ter e
esquecem de que primeiro é necessário ser...
O
meu corpo físico ainda me dói, mas a dor maior e a da percepção de um “ser
humano” não saber ou não querer ser “humano”
Que
pena!!!
Amar
é tão fácil, tão gostoso e que nos torna uma pessoa melhor a cada dia.
Repensar
valores. Isso é muito importante para que a “Magia” tão cantada em prosa e
verso possa realmente existir.
O principal
de tudo é não se esquecer o que estas datas representam realmente.
Simples
Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)
(Selma Serrano Amaral)
5 comentários:
Parabéns pelo texto minha amiga.
Mas a magia existe sim, e nós temos que continuar a acreditar; se não em todas as pessoas, na maioria. Se a magia morrer dentro de nós, tudo e acaba.
Entendo o teu ponto de vista, pois já passei por algo semelhante: sofri uma queda violenta a cerca de algum tempo atrás, sofrendo um corte profundo no no queixo, onde foram aplicados 07 pontos. levantei-me sozinho, pois ninguém se prontificou a isso; e olha que tenho hoje 66 anos. Tenho também notado a falta de carinho e atenção com os idosos em geral, pois poucos jovens se propõem a ceder seus lugares em ônibus e metrô, fingindo-se estar dormindo, ou não. eu não ligo par isso, pois sou de um tempo em que o cavalheirismo imperava, e ainda hoje cedo meu lugar a qualquer outro idoso, ou a qualquer outra pessoa do sexo feminino, e se ver qualquer outra pessoa numa queda, estarei pronto a socorrê-la. É difícil às vezes engolir determinadas coisas, mas precisamos continuar a acreditar na magia, pois ela existe, por isso faço sempre as minhas publicações enaltecendo o amor. Quem sabe um dia amiga as coisas melhorem.
Tenho esperança que as coisas melhorem; pois não acredito que o ser humano conseguirá viver por muito mais tempo sem amor, aquele amor sem intenções inversas, mas sim aquele incondicional pelo qual Jesus deu a sua vida por nós. As dores físicas vão passando e a da alma também. Precisamos deixar as máscaras de lado e enxergar o próximo como a si mesmo.
Obrigada.
A esperança é uma grande virtude; o amor o combustível. as armas que tivermos; no caso nossas, palavras poderão contribuir para um mundo melhor.
Um abraço.
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