sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Onde está a “Magia das Festas de Final de Ano”


Como tudo fica bonito, enfeitado, colorido nessa época do ano. Luzes que piscam em vários ritmos, lojas enfeitadas com frases de amor, paz, solidariedade para conquistar-se um mundo melhor...
É de uma beleza incrível olhar as pessoas se cumprimentando, desejando um novo ano cheio de coisas boas. Comprando presentes, alimentos, passeando, sentadas a beira de mesas de restaurantes brindando. Só coisas boas.
Caro leitor, você pode estar se perguntando o porquê deste texto neste momento. O ano já começou e estamos em sua primeira semana?
Ser-lhe-ei franca. A minha vontade era de tê-lo escrito no último dia do ano de 2012, quando tudo aconteceu, mas se o fizesse, ele viria carregado de indignação, de palavras que realmente não mereceriam ser lidas; pois me encontrava totalmente atônita com o ocorrido.
Amor, amar seu semelhante, preocupar-se com ele e tantas outras coisas que se promete nessa grande “Magia das Festas de Final de Ano”.
Pergunto-lhes: onde verdadeiramente essa magia se encontra?
Hoje, lendo um texto de uma querida amiga, consegui começar a pensar em escrever o que eu queria. Descobri que tudo isso se encontra atrás de máscaras que cada um de nós carrega consigo e são muitas, uma para cada ocasião conveniente. Tem a da indiferença, a da bondade, a do eu sou seu amigo, a do eu me preocupo com você, a do eu não tenho nada a ver com isso. A do finjo que não vi assim não preciso fazer nada, a da alegria, da bondade, do prazer em ajudar seu próximo e tantas outras.
Após ler o texto comecei a rascunhar este, para poder atingir o mais próximo da verdade. Contar-lhes quantas máscaras pude sentir no dia 31 de dezembro passado, o dia das promessas boas, dos bons desejos.
Com o entusiasmo da data, logo pela manhã, me dirigi à padaria onde comprei pão, panettone e um bolo.
Estava vestida de forma normal, como se costuma dizer: “arrumadinha”, nada que denotasse uma moradora de rua, usuária de drogas ou coisa semelhante. Para mim, mesmo que um desses aspectos que a sociedade rotula como “modelo” para não se chegar próximo tivesse sido notado, não interessava, é um ser humano semelhante ao outro, não mereceria tal tratamento. Somos iguais perante Deus e perante a nossa Constituição Federal.
Desculpem-me a palavra: “BALELA”, é cada um por si carregando a sua máscara.
Saindo da padaria passei por umas seis ou sete pessoas que aguardavam no local demarcado, o transporte coletivo. Andei mais uns sete ou oito metros, segurando uma sacola em cada mão. Em uma fração de segundos, devido á falta de conservação da calçada, caí esticada de bruços, inteiramente no chão. A primeira parte de meu corpo a bater com muita força no chão foi à cabeça, mais precisamente toda a face esquerda. Fiquei assim, nessa posição, por uns quatro minutos, quase desacordada. Aos poucos ia tentando encontrar uma forma de levantar-me. Sentia na boca o gosto do sangue misturado com a terra. Achei que tivesse quebrado o nariz; pois como é um pouco grande, a batida foi pior. “Pensei”: fiquei sem meus dentes da frente, que agonia! Virei o rosto para o lado da avenida e lembro-me ter visto um carro vermelho e outro preto passando, bem próximo a mim. Até achei que iriam me ajudar, mas me enganei foram embora. Ainda tentei chamá-los mas, nada, parecia que não havia ninguém esticada no chão e atentem, não tem como não perceber uma mulher de 1.70 m esticada na calçada.
Será que pensaram que poderia ser uma pegadinha ou que eu havia resolvido tomar banho de sol e ficar lindamente bronzeada para esperar a meia noite?
É cômico e trágico ao mesmo tempo; pois ninguém veio ao meu auxílio, nem as pessoas por quem eu segundos antes havia passado.
Lembro-me que ali, esticada no chão só conseguia clamar: “Jesus me ajuda a levantar, preciso de ti”. Aos poucos, chorando, fui ficando em pé e consegui retornar a minha casa. O choro não era tanto pela dor, apesar de ser intensa, mas sim pelas máscaras que hoje entendi. A da indiferença, a de vou fazer que nada vi e deixar para lá, ela se vira, de repente o ônibus passa e eu o perco, não foi comigo nem com ninguém de minha família e assim por diante.
31 de dezembro, onde a “Magia” do desejar o bem ao outro estava aflorada nada se fez?
Será mesmo que estava aflorada ou tudo isso virou um comércio e a verdadeira “Magia das Festas de Final de Ano” não passa de uma grande máscara social ou de uma sociedade mascarada, sem valores pessoais e humanos. Uma sociedade onde o principal personagem é o “eu”, o “nós” é apenas um conto de fadas, uma estratégia mercadológica para se vender cada vez mais coisas para se ter e esquecem de que primeiro é necessário ser...
O meu corpo físico ainda me dói, mas a dor maior e a da percepção de um “ser humano” não saber ou não querer ser “humano”
Que pena!!!
Amar é tão fácil, tão gostoso e que nos torna uma pessoa melhor a cada dia.
Repensar valores. Isso é muito importante para que a “Magia” tão cantada em prosa e verso possa realmente existir.
O principal de tudo é não se esquecer o que estas datas representam realmente.
Simples Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)

5 comentários:

Roberto Corazza disse...

Parabéns pelo texto minha amiga.
Mas a magia existe sim, e nós temos que continuar a acreditar; se não em todas as pessoas, na maioria. Se a magia morrer dentro de nós, tudo e acaba.
Entendo o teu ponto de vista, pois já passei por algo semelhante: sofri uma queda violenta a cerca de algum tempo atrás, sofrendo um corte profundo no no queixo, onde foram aplicados 07 pontos. levantei-me sozinho, pois ninguém se prontificou a isso; e olha que tenho hoje 66 anos. Tenho também notado a falta de carinho e atenção com os idosos em geral, pois poucos jovens se propõem a ceder seus lugares em ônibus e metrô, fingindo-se estar dormindo, ou não. eu não ligo par isso, pois sou de um tempo em que o cavalheirismo imperava, e ainda hoje cedo meu lugar a qualquer outro idoso, ou a qualquer outra pessoa do sexo feminino, e se ver qualquer outra pessoa numa queda, estarei pronto a socorrê-la. É difícil às vezes engolir determinadas coisas, mas precisamos continuar a acreditar na magia, pois ela existe, por isso faço sempre as minhas publicações enaltecendo o amor. Quem sabe um dia amiga as coisas melhorem.

Roberto Corazza disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Roberto Corazza disse...
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Selma Serrano Amaral disse...

Tenho esperança que as coisas melhorem; pois não acredito que o ser humano conseguirá viver por muito mais tempo sem amor, aquele amor sem intenções inversas, mas sim aquele incondicional pelo qual Jesus deu a sua vida por nós. As dores físicas vão passando e a da alma também. Precisamos deixar as máscaras de lado e enxergar o próximo como a si mesmo.
Obrigada.

Roberto Corazza disse...

A esperança é uma grande virtude; o amor o combustível. as armas que tivermos; no caso nossas, palavras poderão contribuir para um mundo melhor.
Um abraço.