quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Quanta Paz!!!


Estou sentada a porta de minha varanda lendo; afinal, encontro-me de férias!
De vez em quando dou uma espiadela em alguns movimentos que ocorrem ao meu redor, mas, imediatamente volto-me a leitura, sem dar muita atenção.
Minhas duas cachorras dormem esticadas no chão tentando suportar o calor que está muito forte. Imagine sensação térmica de quase 50 graus Celsius!
Juntamente a nós três, está meu canário branco. Canta como se o mundo fosse acabar hoje, quanto fôlego! De vez em quando pula de um poleiro para o outro, come, bebe água, enfim, não tem sossego. Para completar este cenário, estamos sendo acariciados pelo vento forte e revigorante de um grande ventilador. Só assim para suportar o abafamento.
Lá fora os pássaros descem da árvore e da roseira para comer as quirelas que caem do prato que fica pendurado em um dos galhos da árvore. Engenhocas do Sr. João Abel, meu pai e que fiz questão de continuar com essa “tradição”; pois foi a última imagem que tive dele aqui nessa casa, antes de sair para o hospital, no qual se internaria para refazer uma cirurgia cardíaca em  novembro de 2011 e nunca mais voltaria. Logo cedo vim buscá-lo. Falei do portão: “pai, sou eu” e ao mesmo tempo olhei pela pequena abertura que existe no portão. Sua resposta foi: “já vou filha, espera só um pouquinho”! Continuei a observá-lo e o vi pegando, no local já de costume, as quirelas dos pássaros e as colocava no prato, como de costume.
“Naquele momento pensei:” como pode uma pessoa de 79 anos que não enxerga mais em virtude do glaucoma que levou embora toda a sua visão, que vai se submeter a uma cirurgia de alto risco, lembrar em deixar a comidinha dos pássaros, que com o amanhecer já estavam acostumados a encontrá-la.
Foi uma imagem linda!  Sei que nunca mais sairá de minha memória e de meu coração.
Têm rolinhas, biquinhos-de-lacre (era assim que ele os chamava), pardais e outros que desconheço os nomes.
Nesse instante abaixei o livro e fiquei prestando atenção no que estava ocorrendo em meu entorno. Huanna, uma pitbull branca lindíssima, dormia como uma criança, até ressonando, fazendo barulhos e se mexendo como se estivesse tendo altos sonhos. Será que cachorro sonha? Uma boa pergunta para ser pesquisada. Logo ao lado, a “donzela maluca” Haycka, uma dachshund teckel, mais popularmente conhecida como cachorro salsicha, Cofap e sei lá mais o quê. Só sei que tem “espírito de porco”, popularmente falado; ou seja, não para, estraga tudo, adora fazer xixi na da cama do meu filho que detesta cachorro, adora correr atrás das rolinhas e quando uma bobeia “já era” literalmente. Entenderam como ela é infernal, mas quando me olha com aqueles olhinhos de “me desculpa, eles que me provocaram”, esqueço suas peripécias e ainda ganha um colo. Agora mesmo está brigando com um tapete pequeno porque ele não quer ficar na posição certa que ela deseja para se aconchegar; é mole ou quer mais!
Ouço o canto dos pássaros, vejo-os dando pequenos vôos como se estivessem brincando um com o outro. Agora consegui contar, pelo menos, uns dez deles no chão fazendo estripulias, pulando, abrindo as asas, correndo um atrás do outro.
Começa a soprar uma brisa, balançando os galhos das árvores de uma forma rítmica, aguçando a vontade das folhas em bailar no mesmo ritmo.
Ao longe ouço as vozes dos vizinhos que estão pintando a casa para a festa do Ano Novo, carros transitando e pessoas caminhando. A vizinhança não é grande; pois a rua é pequena e tranqüila e quase a totalidade dela já se conhece por mais de trinta anos.
Tempos atrás, nesse momento de férias, estaria impaciente para sair, ir passear no shopping, gastar dinheiro, comprar coisas no cartão de crédito e depois enlouquecer para pagá-lo, comer, ficar olhando outras pessoas se movimentando e como se comportavam. Uma verdadeira fofoqueira fútil! Brincadeira,foi só uma descontração no texto.
Engraçado como mudamos, como nossos valores passam a ser outros. Não digo nem melhores nem piores e sim apenas aqueles aos quais nos identificamos mais no momento.
Hoje eu quero isso: paz, ver a simplicidade nas e das coisas.  Perceber que há um movimento maravilhoso ao nosso redor e nem nos damos conta. Aproveitar meu tempo livre para “curtir” minha casa, meus livros; pois adoro ler e acima de tudo, me “curtir”. Estar bem comigo mesma, sem ansiedades, sem ter que agradar alguém ou fazer o que não quero no momento, sem culpas, sem estresses, sem cobrar-me perfeição no que faço. Hoje caminho no meu ritmo, no meu compasso.
Estou sendo “eu”, autenticamente “eu” e motivada a viver um dia de cada vez. Apreciando toda a beleza que ele pode me oferecer.
Estou recarregando minha “bateria” humana, me sentindo fazendo parte dessa natureza maravilhosa, desse mundo de valores simples, não simplórios, acreditando que poderia haver muito mais paz se mais pessoas reconhecessem a importância de se envolver pela beleza de “ser um eterno aprendiz”.

Simples Assim!!!.
(Selma Serrano Amaral)


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Galhos de Natal...

Como gosto desta época do ano!
Não da correria para as compras de presentes e dos mais variados produtos e ingredientes para a elaboração da “Ceia de Natal”.
Gosto de lembrar-me do verdadeiro sentido que o dia 25 de dezembro representa. Do amor incondicional que nos foi dado pelo, incontestavelmente, maior líder que o mundo já viu; Jesus.
Não, não vou comentar sobre religião, crenças, ritos ou demais denominações. Primeiro porque não é o assunto principal deste texto e em segundo lugar não me considero com conhecimento suficiente para isso. Tenho a minha fé e respeito muito a dos outros.
Aliada a esta data, vem à decoração natalina, que pode ser colocada em qualquer lugar, como portas, fachadas, mesas, etc. Particularmente, acho linda e me emociono em admirá-la.
A modernidade fez com que tudo ficasse bem atrativo. Luzes que piscam ao som de músicas, bonecos que cantam,dançam e falam ho, ho, ho, renas coloridas, a casa do Papai Noel; enfim, alegorias lindas de se contemplar.
Todo ano quando chega à época do Natal, sempre me dá uma nostalgia incrível. Lembrar dos natais de minha infância e parte da adolescência me faz sentir um pouco vazia, se comparando com os de hoje.
Era de praxe ir a “Missa do Galo”. Vou contar-lhes um segredo: eu não gostava, demorava muito e era tarde demais para uma criança que adorava dormir muito. Diga-se de passagem, até hoje.
O almoço do dia 25 era bem melhor que os almoços dos outros dias. Tinha uma variedade de alimentos incrível, parecia um banquete.
Uma das coisas mais gostosas era ver a família toda reunida, inteirinha juntos. Como era imensa! Pai, mãe, avós, tios, tias primos e primas, que delícia!
Voltemos ao assunto principal deste texto, o qual o título deu origem a ele: minha “Árvore de Natal”, melhor dizendo “Meu Galho seco de Natal”.
Hoje me dou conta que só em montá-lo já era um grande presente, simples assim!
Dias antes saía em busca do galho seco perfeito. Não podia ser muito aberto nem muito fechado. Tinha que ser realmente “perfeito”. Como era difícil encontrá-lo!
A felicidade enchia-me a alma, quando de longe o avistava. Creio que a sensação era a mesma dos sete anões. Sim, aqueles da história da Branca de Neve que iam felizes para casa cantando: “eu vou, eu vou, para casa agora eu vou...”
Chegava a casa com o troféu na mão e compartilhava com minha mãe toda a estrutura do galho seco.
Naquela época, sem conhecimento, já estava agindo de forma sustentável, usando material que a natureza deixou cair sozinha e criando com a montagem do galho o que chamaríamos em nossos dias de uma árvore de natal com um designer bem moderno e diferente. Nossa como sou fantástica, um show da vida!
Vou deixar a brincadeira de lado e continuar com minhas lembranças.
Mãos a obra: há a necessidade de pintar o galho com tinta prateada, quando tinha dinheiro para comprá-la. Se não houvesse ia mais natural ainda.
Após esta tarefa, era necessário encontrar uma lata de tinta vazia ou qualquer recipiente semelhante. Encontrado, era embrulhado em papel laminado, aquele que brilha. Pronto, agora é só enchê-la de terra para que o “Galho de Natal” ficasse bem firme.
Imagem linda e imponente tinha aquele simples galho.
Tudo acertado era à hora de decorá-lo; até alguém lembrar: bolinhas, onde estão as bolinhas do ano passado que guardamos com todo o cuidado?
Sempre no dia 6 de janeiro “Dia de Reis”, quando desmontávamos o “Galho de Natal”, embrulhávamos todas com muito cuidado. O material utilizado para fazê-las era muito fino e se caíssem quebravam-se em vários pedaços; ó dó.
Atualmente ainda existem, as bolas que complementam os enfeites das árvores, mas o material é outro; é o plástico coberto por cores e brilhos. Se uma delas cair no chão, sai quicando sem quebrar e você se lascando em correr atrás dela; ó dó.
Bolinhas encontradas, hora de pegar linha de costura para amarrá-las e pendurá-las nos galhos.
Como a quantidade de bolinhas não era muita; pois sempre algumas caíam no chão e se quebravam, chegando a doer o coração e não tínhamos dinheiro para comprar mais, o jeito era usar a imaginação, ainda mais a de criança. Corria atrás do material de costura de minha mãe e procurava pedaços de fitas coloridas. Lantejoulas e até mesmo tecidos bonitinhos. Era muito fácil fazer os lacinhos e ir prendendo-os ao meu “Galho de Natal”.
Lindo, estava ficando cada vez mais lindo!
Tudo que encontrava, eu ia adaptando para ser mais um enfeite.
Pronto, o galho ficou maravilhoso!
Espera um pouco, está faltando alguma coisa, deixe-me pensar; o que será?
Já sei o algodão! Como pude esquecer-me da neve, mesmo sendo pleno verão? E isso se faz até hoje nas decorações natalinas. Copiamos o Natal de outros países. Porque as nossas árvores de Natal não poderiam ser enfeitadas com materiais característicos de nosso país?
Deixa para lá, foi apenas uma observação.
O algodão era espalhado por todo o galho, como se fosse à neve caindo sobre ele.
Perfeito, agora é só levá-lo para o canto reservado a ele!
Durante toda a minha infância e boa parte de minha adolescência; pois passávamos pelas fases normais de um ser humano, coisa que não ocorre atualmente. Normalmente a adolescência é encarada pelos jovens e adultos como uma fase não necessária; chegando até a chamá-la de ”aborrecência” e não vem à hora de terminá-la, os meus Natais eram assim.
Cresci, pois o tempo é implacável, não pára um segundo sequer e o “Galho de Natal” foi substituído pelas árvores artificiais que enfeitam as casas de todos nós até hoje. A casa em que morava também não existe mais. Muitos dos que passavam o Natal conosco o tempo também os levou e, particularmente me vem na memória o refrão de uma canção que diz assim: “naquela mesa está faltando ele (es) e a saudades dele (es)  está doendo em mim...”, meus pais que tanto admiravam meu “Galho de Natal”.
Agora me lembro do Natal no seu verdadeiro sentido e também do meu “galho seco”, que me fazia tão feliz.
Muitas vezes fico só lembrando o meu “Galho seco de Natal” que está bem guardadinho em meu coração, em minha infância querendo reaparecer.  Sei que um dia ele voltará esplendoroso e o montarei outra vez junto com meus netos, ensinando-os a magia, o amor e o verdadeiro símbolo do Natal.
Atualmente quero pouco. Quero estar longe das correrias de compras de presentes, de viagens que muitas vezes acabam em tragédias devido ao excessivo consumo de álcool e outras coisas mais, de comprar roupas novas para usar no dia e de ficar pensando o que fazer de Ceia.
Basta-me ouvir o canto dos pássaros que vêm em minha árvore cantar todos os dias. Observar as rosas vermelhas e sentir seu aroma ao soprar do vento, deitar na rede e ficar olhando os desenhos das nuvens. Ganhar um abraço bem apertado das pessoas que amo e a noite observar as estrelas cintilando no céu.
Interiormente vejo a menina que ainda tem em seu “Galho de Natal” que está bem guardadinho em seu coração, a imagem de momentos felizes, sem precisar de dinheiro, status ou qualquer coisa do gênero para comemorar o dia mais importante para a humanidade cristã.
Perdendo-me nos pensamentos, encontro-me mais humana num mundo tão superficial, de tantas coisas desnecessárias para se conseguir momentos felizes.
Ser Feliz é Simples Assim !!!
Tente achar em suas lembranças de infância, momentos que te fizeram sentir-se motivado para buscar a felicidade. É maravilhoso !!!
Uma pena, mas não tenho nenhuma foto do meu lindo “Galho de Natal” para lhes mostrar, mas deixo a foto da “Árvore de Natal” deste ano.
Um lindo Natal a todos!
(Selma Serrano Amaral)



sábado, 15 de dezembro de 2012

Era uma vez...


Sim, este será o título deste texto.
Não adianta reclamar caro leitor; essas informações se tornam essenciais; pois, assim entenderão muitos dos assuntos que estaremos tratando nesse blog. Tratando não, melhor comentando, discutindo; pois dá para vocês registrarem suas apreciações. Tratando parece coisa de doença e tudo o que eu não quero é conversar sobre esse tema. Quero trocar ideias sobre felicidade, motivação, alegrias, cantos, contos, encantos, encontros, enfim, tudo o que nos mostre o quanto somos felizes e muitas vezes nem nos damos conta disso.
Vamos lá:
" Era uma vez uma família de portugueses recém chegados ao Brasil. Não sei muito bem como foi o início de seu assentamento. Pensando melhor, nem me lembro se algum dia alguém comentou sobre isso; mas não importa, continuemos de onde me lembro, já está de bom tamanho.
Instalaram-se em São Vicente, cidade localizada mais para o no litoral sul do estado de São Paulo. Isso, lá pelos idos de 1920.
Já em terras brasileiras, tiveram quatro filhos. Após um período aqui no Brasil, retornaram a Portugal e tiveram mais alguns por lá.
Retornaram ao Brasil, sendo que ao todo; pasmem, tiveram 18 filhos, mas como se dizia naquela época "apenas 09 vingou".
Instalaram-se definitivamente em uma área extensa, construindo um lindo chalé, que ficava na parte mais alta do terreno. Eu o achava muito imponente.
Gente, vocês nem me lembraram? Esqueci de dizer os nomes dos protagonistas da história! Que falha imperdoável a minha.
Sei que ao mencionar os nomes, vocês pensarão que estou de "gozação" ; mas não estou. O nome do varão da história era João e de sua linda esposa, Maria. Uma mulher alta, esguia e guerreira.
Realmente parece brincadeira com o título do texto mas meus avós paternos chamavam-se João e Maria, outra história infantil....

João era um jardineiro de altíssima qualidade, tanto que trabalhava nas casas que a sociedade da época chamava de "a casa dos ingleses", aqueles da época do café em expansão.
Maria cuidava da prole numerosa e da imensa área em que residiam, onde existiam diversos tipos de árvores frutíferas como abacateiro, ameixeira, parreira, ervas medicinais, verduras legumes e uma linda árvore frutífera que eu amava de paixão. Era uma "grumixameira". Garanto que muitos nunca ouviram falar, quanto mais saborear seu delicioso fruto, a grumixaba. Ela era imensa, mais alta do que a casa.
Vou dar uma pausa e passar para o momento cultura: " a grumixameira é uma árvore brasileira da floresta pluvial da Mata Atlântica, conhecida também por grumixaba, cumbixaba e ibaporiti, podendo atingir até 15 metros de altura. Seus frutos, bagas globosas, podem conter uma ou duas sementes”.
Pronto acabou o momento cultural, e acredito que os deixaram curiosíssimos em pesquisar mais sobre essa fruta tão saborosa. Assim eu espero!!!!
Bom, retornando a João e Maria, os filhos cresceram, foram casando e construindo suas casas em partes do terreno. Atualmente poderia ser chamado de um "condomínio residencial familiar". Que chique, não acham?
E assim foi.
Mas, como todo casal tem filhos, pelo menos é o mais usual, ainda mais naquela época,inevitavelmente nasceram os netos e as netas.
Imagine a imensa área, apesar de acomodar tanta gente, tinha muito espaço para se brincar e como brincávamos. Era o máximo...
Eu adorava subir no pé de grumixaba. Colocava uma escada e depois escalava o telhado da casa e ficava sentada nos galhos frondosos da árvore, só saboreando seus frutos.
Caramba!!! Agora chegou até  me dar água na boca só de falar sobre eles. Acho que posso ficar "aguada", mas isso será outra história.
Enchíamos vários potes com as frutinhas e as comíamos muito, ou melhor, literalmente a chupávamos primeiro para depois comê-las, até dar “dor de barriga”.
Era engraçado demais esperar quem é que sairia correndo primeiro para o banheiro. Uma pausa: o papel higiênico na época era “horrívelmente” horrível; quando havia. Isso mesmo, se não houvesse, outros papéis cumpriam sua função. Não dava para chamar o “Alfredo” da propaganda; no máximo era clamar por Jesus para acalmar a “tempestade” e que o final não fosse tão dolorido.
Fico pensando em quantas crianças têm, atualmente, o privilégio de ter em sua residência, um quintal com tantas frutas, verduras, legumes e até mesmo aves. Sim aves.
 Como não ter galinhas?
Impossível!!!
Havia um espaço separado para as elas, seus pintinhos e seus ovos maravilhosos, que também resultavam em uma deliciosa gemada feita pelas mãos de minha mãe. Era a gemada dos deuses.
Será que éramos felizes?
Será que tínhamos a exata noção do significado daqueles momentos maravilhosos?
Não só eu, mas os primos, primas e amigos que vinham brincar conosco?
Creio que sim, sabíamos que éramos felizes, mesmo tendo poucos recursos financeiros; pois a área era grande, mas as casas eram humildes chalés mistos, aqueles em que os quartos e sala eram de madeira e a cozinha, banheiro e demais dependências de alvenaria.
Hoje chamamos de casa "pré-moldada",ficou mais chique.
Como fui feliz lá, sinto saudades.
No local, atualmente ergueram-se prédios e sobrados, desses que estão construindo com a mesma arquitetura em todos os lugares.
Que pena para as crianças que hoje habitam naquele lugar, confinadas em um pequeno espaço e nem sabem quantas vidas felizes passaram por ali!
Subir em árvores, brincar com as galinhas, fazer comidinha de verdade em fogãozinho improvisado com tijolos, empinar pipas e ter a família toda reunida nas festas de final de ano. Era tudo de bom.
Muito bem. Já que conheceram um pouco de felicidade infantil, vou parando por aqui.
Só falta uma coisa: o final da história
O varão João e sua linda esposa Maria viveram felizes para sempre por mais de 60 anos de amor, convivência e companheirismo...

Isso é felicidade?
(Selma Serrano Amaral)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Chuva? Chuva de Bolinhos de Chuva


Hoje matei a saudades de comer Bolinhos de Chuva. Quanto, tempo não os comia? Nem me lembro mais.
Bolinhos de Chuva para mim lembram vovó, aquela mulher que eu gosto de chamá-la de "mamãe com açúcar".
Por uns instantes minha mente voltou-se ao passado e bem passado..., mesmo estando cercada por alunos em sala de aula na Faculdade, quando uma de minhas alunas me ofereceu um pote cheio de Bolinhos de Chuva; cada um mais lindo e mais gostoso que o outro. Peguei dois e fui saindo de perto; pois me lembrei de minha avó materna, a vovó Maria de Lourdes.
Como eu gostava dos bolinhos de chuva que ela fazia quando a casa estava cheia de netos correndo de um lado para o outro dentro de casa; pois lá fora chovia.
Hoje entendo que talvez fosse uma maneira de nos acalmar, pois sentávamos ao redor da mesa para saboreá-los, cheios de açúcar e canela por cima e os comíamos  acompanhado de chá mate..
Nossa! E o dia que ela os fazia recheados com bananas. “Caramba”, era muito bom!!!
Bolinhos de Chuva me remetem a amor, carinho, aconchego, que só encontramos no colo de nossas mães ou na casa de nossas avós.
Era maravilhoso e tão esperado o dia de irmos à casa da avó Maria de Lourdes, encontrar todos os primos e primas, quase todos da mesma idade. Imaginem a folia!!!!
Era uma folia fantástica. Era chuva de amor caindo como estrelinhas cintilantes sopradas por uma linda fada cor-de-rosa.
Brincávamos muito e comíamos ainda mais e mais bolinhos de chuva.
Fico pensando em como minha avó conseguia administrar tantos netos correndo, rindo e brincando. Tenho a nítida impressão que era o amor que ela sentia por cada um de nós que a fazia ficar tão feliz com tanta bagunça junta, com todos os netos juntos e misturados ao mesmo tempo e, acreditem, éramos muitos mesmo.
Cada remessa de bolinhos de chuva que saía da panela; eram literalmente devorados. Parecia não ter fim.
Ficávamos comparando o recheio de cada um dos bolinhos; pois uns gostavam mais sequinhos, outros gostavam mais cremosos e ela satisfazia a vontade de todos. Só poderia mesmo ser chuva de amor que continha na receita daqueles bolinhos de chuva.
Agora, nesse exato momento, escrevendo este texto, consigo sentir o cheiro da canela misturada ao açúcar, a textura do recheio cremoso e até mesmo enxergar aqueles "rabinhos" que ficam em cada um deles quando a massa cai toda da colher no óleo quente.
Saudades da avó Maria de Lourdes. Se eu tivesse que indicar uma mulher como exemplo de vida, seria ela que eu indicaria. Minha vida tem profundas marcas de amor e fé inabalável, vindas dessa mulher guerreira.
Quantos filhos e filhas, quantos netos, netas, genros e noras e ela lá, no centro da família.
A tecnologia é tão avançada atualmente, que deveriam ter inventado algum dispositivo, uma máquina, uma tecla, sei lá o quê, que pudesse nos levar ao passado para matarmos as saudades e, depois voltaríamos, recarregados de chuvas de amor.
Se tivessem inventado algo assim, eu o usaria para ir à casa de minha amada avó Maria de Lourdes para saborear chuvas de bolinhos de chuva e lhe dar um abraço bem apertado e ficar um pouquinho em seu colo. Ver o brilho do açúcar caindo por cima deles como se fossem estrelas cintilantes caindo do céu.
Cada um daqueles bolinhos representava um pedacinho de amor de avó, melhor "mamãe com açúcar".
Quando eu tiver meus netos, quero ser uma "mamãe com açúcar". Logicamente a produção não dependerá de mim,
Quero amar, mimar, ninar, compartilhar um dos maiores dons que Deus nos deu o amor a vida, com meus netos. Fazer bolinhos de chuva recheados com bananas e deixá-los, depois de terminada a massa, lamber a tigela e a colher que foram utilizadas para fazê-los.
Era um dos momentos que eu mais gostava. Era tanto dedo dentro da vasilha que não sobrava nada.
“Chuvas de Bolinhos de Chuva”.
Uma simples receita que deixa marcas de amor em nossa mente e principalmente em nossos corações para a vida inteira.
Quantas avós fazem isso com seus netos atualmente?
Não percam essa oportunidade, é única e marcante demais.
Bolinhos de Chuva... Amor familiar.


Simples Assim!
(Selma Serrano Amaral)

Cantos e Encantos


Acho muito curiosa a mente humana.
Essa noite eu estava tão empolgada em ter conseguido montar meu próprio blog, que quase nem dormi e o pouco que consegui, sonhei com esse texto, com este título "Cantos e Encantos", isso mesmo, sonhei o sonho dos anjos...
Coloquei-me a imaginar porque crescemos e qual o fato, o momento ou o bloqueio que ocorrem, para que muitos de nós esqueçamos nossos cantos preferidos e os encantos que cada um deles contém.
Toda vez que sonho, pode ser e normalmente é com pessoas do meu círculo de amizades atuais ou até mesmo com antigos amigos ou situações; nunca estou no tempo real, com o cenário atual. O contexto sempre se desenvolve em uma casa em que morei com minha família, por quase 20 anos, quando saí para ir morar em minha própria casa e construir meu lar e minha família, me tornei uma mulher casada, com apenas 20 anos de idade. Que insanidade!!!. Nem eu acredito; mas esse assunto não diz respeito ao que gostaria de comentar nesse texto. Fica para outra oportunidade, para um próximo capítulo, se eu achar que será interessante... Vou pensar bem sobre isso!!! 
Fico pensando como tive em minha infância muitos "cantos e encantos" e não os conseguia enxergar com tanta sensibilidade como os vejo hoje. Sim, eu os vejo mesmo, sinto os aromas das flores que minha mãe cultivava e que por sinal eram lindíssimas.
Mas havia um problema, pelo menos era o que eu imaginava na época. Eu não gostava daquela casa, daquelas coisas tão simples que nela havia. Hoje consigo visualizar cada coisa em seu lugar, as cores, as texturas... Incrível!
Minha mãe me dizia que eu me sentia uma princesa (ainda bem que não do agreste; pois sucumbiria de calor).
Lembro-me que certa vez, quando já estava quase adormecida, ela e meu pai entraram em meu quarto e baixinho ela disse: "ela faz pose até para dormir" ...mas não era pose, simplesmente era o meu jeito de ser e acredito ser assim atualmente; pois não tenho meio termo, ou as pessoas me amam ou me acham metida. Fazer o quê, como diz na novela das 21 horas: “cada um com seu tapete”.
Queria ter meu próprio quarto e não ter que dividi-lo com meu irmão. Não era egoísmo e sim uma vontade imensa de ter meu canto, como sinto até hoje. Meu "canto e meus encantos", meu porto seguro. Não deu, o jeito era dividir o espaço com ele, que amo demais. Acredito que nem ele saiba o quanto é grande esse amor.
Deveria existir um "amortómetro" , para que se pudesse mensurar a intensidade de se amar....Loucura total minha!
Hoje sinto tanta falta daquela casa, do "canto" montado por meu pai, onde ficávamos embaixo de um caramanchão vendo os pássaros e os insetos vindos sugar o néctar das flores. Era um caramanchão lindo, uma verdadeira obra de arte digna de ficar exposta em uma praça pública bem bucólica. Era um "canto recheado de encantos".
Passamos pela vida e nos esquecemos de enxergar nas pequenas coisas, a felicidade. Eu era muito feliz e não sabia.
Agora eu sei; pois tudo o que sonho se passa lá, igualzinho como era.
O caminho para chegar em minha casa, era ladeado de hortênsias, de um azul maravilhoso e sempre cuidadas pelas mãos de fada de minha mãe. As plantas os animais e as crianças a adoravam.
E a orquídea, nossa essa era demais, a "menina dos olhos" dela. Acreditem se quiser; hoje ela ainda está plantada em meu quintal. Já é uma "mulher orquídea madura", já passou dos 30 anos e ainda floresce maravilhosamente a cada setembro. Vocês as verão no final do texto, prometo-lhes.
Meu "canto e meu encanto" que permanecem em minha memória e em meu coração.
 Ser feliz! Simples Assim, não acham?
Esse foi só um pouquinho dos encantos e das alegrias que cercaram minha vida.
Para não cansá-los, vou contando aos poucos outras histórias; assim fico motivada para motivar.
Combinado?
Simples Assim!!!
(Selma Serrano Amaral)


terça-feira, 20 de novembro de 2012

Introdução ao Blog




É com imenso prazer que escrevo este primeiro texto em meu Blog. Provavelmente, muitos não consigam entender o porquê de tanta felicidade, pois afinal de contas são apenas algumas linhas redigidas.

Hoje, resolvi sentar e começar, lentamente, no meu ritmo, a colocá-lo em prática; melhor dizendo: "colocar-me em prática", sair da letargia e partir para a ação, buscando simplesmente ser feliz, já que o intento de destruição não aconteceu, pelo contrário, o aprendizado foi fantástico e isso eu dou Graças a Deus; pois renasceu uma mulher mais forte; mais independente e se amando mais. A dor de sair do casulo me tornou uma linda borboleta, que enfrenta de forma ética todas as situações, experiências e profissionalismo, e acima de tudo mantendo o respeito pelo outro ser humano.

Pretendo deixar registrado neste espaço, coisas que muitas vezes "escrevo" mentalmente, não deixando nenhum registro concreto, real; nenhuma contribuição para alguém que possa ter passado por situações semelhantes a minha e conseguiram superá-las ou ainda estão buscando um caminho que as leve a se amar em primeiro lugar e também experiências alegres, onde a vida pulsa intensamente, mostrando-nos o quanto vale a pena vivê-la.
Ser Feliz: Simples Assim!

Esse foi o nome que escolhi para o blog na mesma época em que acalentava o sonho e que nunca conseguia realizá-lo. Ele sempre vinha em minha mente, justamente pela contradição em achar tão difícil, na ocasião, encarar formas, fatos, histórias, acontecimentos que diariamente me afetavam e principalmente a incredulidade das pessoas em aceitar e acreditar que cada um tem um tempo para a sua dor, para o seu luto, para retomar o caminho, que nem sempre é reto, pode apresentar muitas curvas e desvios.
O mundo não pára, continua a caminhar e você percebe que não dá para descer no meio do caminho sem se machucar e muito, mas mesmo assim você desce, levanta-se, cura as feridas e segue em frente, rumo vitória.

Ser feliz é simples assim?
Essa pergunta ficará registrada e daqui em diante iremos traçando, rascunhando e literalmente escrevendo a simplicidade em se buscar a "felicidade", principalmente em nossa infância. Descobrir o que é a "felicidade" e acima de tudo ser feliz.
Teremos também contos, cantos e encantos...

Abraços...
(Selma Serrano Amaral)